A Assembleia Legislativa instalou, na noite desta terça-feira (2), a Frente Parlamentar para Avaliar a Política Pública de Data Centers no Rio Grande do Sul, que será presidida pelo deputado Matheus Gomes. A iniciativa dá continuidade aos trabalhos de uma subcomissão que tratou do tema no âmbito da Comissão de Saúde e Meio Ambiente e teve como relator o deputado do PSOL.
O encontro realizado no Salão Júlio de Castilhos contou com a participação de acadêmicos, ambientalistas, estudantes e lideranças políticas de diversos municípios. Após a instalação do novo colegiado, o deputado apresentou uma síntese do relatório final da subcomissão, enfatizando os riscos e as oportunidades oferecidas pelo Scala AI City, megaprojeto da empresa Scala Data Centers, que deverá ser implantado no município de Eldorado do Sul. O empreendimento, cuja fase inicial está orçada em R$ 3 bilhões, será o maior condomínio de data centers da América Latina e o primeiro voltado à produção de Inteligência Artificial no Brasil.
Matheus Gomes considera que já não se trata mais de “ser a favor ou contra” o projeto, mas de discutir com a sociedade, de forma transparente, as consequências e desvendar as oportunidades de reindustrialização do país que este tipo de empreendimento proporciona. “O momento é de discutir o desenvolvimento de capacidades tecnológicas em território nacional e construir um modelo adequado às necessidades do país e à soberania brasileira. Não podemos nos contentar em só receber propostas de fora”, apontou.
A presença dos data centers no Brasil cresceu 682% entre 2013 e 2023, com concentração no Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul, que reíne condições logísticas e de conectividade para atrair grandes empreendimentos tecnológicos. O projeto de Eldorado do Sul, segundo Matheus, representa uma nova dimensão, inaugurando no país o setor de data centers de hiperescala, voltados à produção de Inteligência Artificial. Ele alertou, no entanto, para o impacto ambiental da atividade, que é grande consumidora de água e energia. Conforme o parlamentar, a estimativa é de que o consumo de energia seja 40% maior do que o consumo residencial médio de todo o estado. Já para o resfriamento dos processadores, são necessárias 2,4 piscinas olímpicas por dia, se o sistema for fechado, e 86,4, se for aberto. “Hoje, não há regulação específica no Brasil para organizar a vinda de data centers de hiperescala. É preciso criar um marco regulatório adequado para evitar, inclusive, que o setor vire vilão, como já acontece nos Estados Unidos, e proteger a população gaúcha”, assinalou.
A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Márcia Barbosa, defendeu a participação de empresas e universidades locais na produção de Inteligência Artificial no condomínio de data centers de Eldorado do Sul. “Temos que garantir que um pedaço desse condomínio seja nacional. Do contrário, poderemos virar depósito de fluxo de dados. Isso seria pior do que as commodities, pois significa pessoas de fora do país manipulando dados com uso da água e da energia daqui”, ressaltou.
Também participaram do ato o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e a presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal no RS, Naiara Machado.
Fonte: Assembleia Legislativa de RS


































