Nesta quarta-feira (29), o deputado Zé Nunes (PT), representando a presidência da Assembleia Legislativa e como vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Reforma Psiquiátrica, participou da abertura da 19ª edição do Mental Tchê, no Parque de Exposições do Sindicato Rural de São Lourenço do Sul. Com o tema “Atenção psicossocial em tempos de desastres e crises climáticas”, o encontro reuniu profissionais da saúde, usuários, familiares, educadores e ativistas em uma programação marcada por debates, atividades culturais e ações voltadas à promoção da saúde mental.
Criado em 2005, durante a gestão de Zé Nunes como prefeito, o Mental Tchê consolidou-se ao longo de duas décadas como um espaço de resistência, convivência e afirmação de direitos. “O cuidado em liberdade e a luta antimanicomial são pautas permanentes do nosso mandato. O evento expressa essa trajetória construída desde a base do SUS”, destacou.
O parlamentar alertou para os riscos de retrocessos nas políticas públicas. “Estamos diante de um momento importante no Brasil. Há quem defenda o SUS com financiamento adequado e uma saúde pública universal com equidade, mas também há quem queira desconstituir esses direitos. A nossa luta é na defesa da saúde pública, da democracia e da paz”, pontuou.
Zé Nunes também criticou práticas que, segundo ele, representam a retomada de modelos ultrapassados. “Seguimos enfrentando ameaças concretas, com políticas higienistas e internações compulsórias sem perspectiva de saída. Isso fere os princípios da Reforma Psiquiátrica e os direitos humanos”, afirmou.
O deputado ainda criticou o avanço de comunidades terapêuticas sem respaldo científico. “Estamos falando de novos formatos de institucionalização, muitas vezes com práticas de asilamento e ausência de critérios técnicos. Isso não é cuidado, é violação”, ressaltou.
Nesse contexto, destacou o papel da Frente Parlamentar como instrumento de resistência. “Não somos um espaço de debate genérico. Atuamos na memória, na articulação institucional e na defesa concreta da luta antimanicomial, monitorando inclusive denúncias de violações”, disse.
Ao final, reafirmou o compromisso com a fiscalização e a garantia de direitos. “Somos militantes da luta antimanicomial e manteremos todos os canais da Assembleia abertos para garantir que as leis da Reforma Psiquiátrica sejam cumpridas, tanto no âmbito estadual quanto federal.”
A programação desta edição trouxe novidades como o “Mentalzinho”, espaço voltado às crianças para o diálogo sobre emoções de forma leve e acolhedora, além da 2ª Caminhada/Corrida do Mental Tchê, com percurso de 2 km e participação aberta à comunidade. Também integraram o evento a Tenda do Afeto Popular, rodas de conversa e a feira de economia solidária.
Fonte: Assembleia Legislativa de RS



































