A falta de adesão de prefeituras gaúchas ao programa Imuniza Escola no RS foi o tema discutido, nesta terça-feira (05), em audiência pública da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa (CAM). O debate foi requerido pelo deputado Pepe Vargas (PT). A audiência foi coordenada pelo presidente da CAM, deputado Joel Wilhelm (PP).
O Programa Imuniza Escola RS é uma iniciativa do governo do Rio Grande do Sul que cruza dados das secretarias de Educação e Saúde para identificar alunos com a vacinação incompleta. O objetivo é aumentar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes, com foco especial na vacina contra o HPV, facilitando a busca ativa e a imunização dentro ou próximo ao ambiente escolar. Além da vacina contra o HPV, o programa monitora entre os alunos outras quatro vacinas do calendário básico: meningo ACWY, pentavalente, pólio e tríplice viral.
A vacina HPV previne o câncer, principalmente o câncer de colo do útero, além de cânceres de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe (garganta). Ela também protege contra verrugas genitais (condilomas) e lesões precursoras de câncer causadas por tipos de alto risco do papilomavírus humano.
A ferramenta central da iniciativa é o Sistema Imuniza Escola RS (SIE), plataforma digital desenvolvida pela SES que permite aos gestores escolares cadastrarem alunos e verificarem o status vacinal de cada um. Com essas informações, é possível orientar os estudantes sobre a necessidade de atualização das vacinas, com apoio do Programa Saúde na Escola (PSE).
O deputado Pepe Vargas, ao iniciar o debate, disse que o programa do governo do estado é meritório, mas que desejava diagnosticar os gargalos na adesão ao projeto por parte das secretarias de Educação e de Saúde, bem como dos municípios, e traçar caminhos para atingir os índices de vacinação de crianças e adolescentes no território gaúcho. “Dos 497 municípios apenas 54 não aderiram ao Imuniza escola, mas o problema é que muitos outros têm problemas com cadastros desatualizados”, explicou.
Ao final do debate, o parlamentar ratificou as sugestões dos deputados Joel Wilhelm, de chamar a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) para ajudar na conscientização das secretarias municipais de educação, e Edivilson Brum (MDB), de inclusão do programa nas leis federais de obrigação da vacinação, vacinação infantil e vacinação em escolas.
A ginecologista de Santa Cruz do Sul, Denise Müller, idealizadora e mentora do projeto, através da Associação de Prevenção do Câncer de Colo de Útero (Apcolu) afirmou que entre 2019 e 2024, 9.605 mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo de utero no RS e que dentre estas, 2.517 faleceram. Conforme ela, a vacina reduz em 80% a possibilidade de câncer. “Em países desenvolvidos, como a Austrália, a doença foi erradicada com a vacinação”, ilustrou.
Denise contabilizou a morte de uma mulher por dia com câncer de colo de útero no RS e destacou que além da dimensão do sofrimento humano, o custo elevado para a saúde pública é assustador. “Um paciente com câncer avançado é alguém que vai se perder e custa em torno de um milhão aos cofres públicos”, avaliou.
O representante da Famurs na audiência, Paulo Azeredo, disse que a entidade aderiu ao programa e tem divulgado junto às prefeituras. Ele afirmou que está preocupado com os índices de vacinação junto aos municípios e pela necessidade de incremento de mais vacinas por parte do Ministério da Saúde para ampliação e continuidade do programa. Azeredo colocou a Famurs à disposição da Assembleia para implementação dos encaminhamentos tirados na audiência.
Também se manifestou Ester Hildegard Reis, da diretoria da Apcolu.
Fonte: Assembleia Legislativa de RS


































