O governador Eduardo Leite participou, nesta sexta-feira (15/5), do painel de abertura do InfraLeaders 2026, programa internacional voltado à formação de lideranças em infraestrutura, promovido pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e pela B3. O debate foi realizado na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington (EUA), como parte da agenda da missão internacional do governo gaúcho na atração de investimentos para o Estado.
Leite integrou o painel “From planning to execution: subnational leadership in infrastructure”, ao lado da vice-governadora do Ceará, Jade Romero. A mediação foi conduzida por Paulo Corrêa, diretor executivo do BID no Brasil e no Suriname. O encontro reuniu lideranças públicas e privadas do setor de infraestrutura para discutir o papel dos governos subnacionais na ampliação de investimentos, no fortalecimento das parcerias público-privadas (PPPs) e adaptação às mudanças climáticas.
Durante sua participação, o governador afirmou que as enchentes de 2024 mudaram definitivamente a forma como o Estado pensa a infraestrutura pública. Segundo ele, a reconstrução do Rio Grande do Sul incorporou a resiliência climática como eixo central do planejamento, da engenharia, do financiamento e da operação dos projetos a partir da criação do Plano Rio Grande.
“O desastre climático impôs uma nova lógica ao planejamento público. Não basta reconstruir como era antes. Precisamos reconstruir melhor, com mais inteligência, adaptação e capacidade de resistência a novos eventos extremos”, afirmou.
Liderado pelo governador Eduardo Leite, o Plano Rio Grande é um programa de Estado criado para proteger a população, reconstruir o Rio Grande do Sul e torná-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro.
Estado aposta em infraestrutura resiliente
Leite destacou que os novos projetos rodoviários do Estado já incorporam soluções voltadas à adaptação climática, como drenagens superdimensionadas, ampliação da vazão hidráulica, contenção de encostas, reforço estrutural em áreas vulneráveis e pontes planejadas com cotas mais elevadas e fundações reforçadas. O governador ressaltou ainda que os dois novos blocos de concessões rodoviárias do Estado terão investimentos estimados entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões cada, além de aporte público de R$ 1,5 bilhão em cada contrato para garantir obras adicionais de resiliência e assegurar a modicidade tarifária.
Segundo Leite, o modelo adotado pelo Rio Grande do Sul permite ampliar a capacidade de investimentos a partir da utilização de recursos do Plano Rio Grande em parceria com o setor privado. O governador explicou que os aportes serão viabilizados com recursos que deixaram de ser pagos temporariamente à União no âmbito do acordo da dívida estadual.

“Ao invés de executar diretamente todas as obras, utilizamos esses recursos para multiplicar a capacidade de intervenção por meio das concessões, acelerando entregas e garantindo tarifas mais acessíveis à população”, afirmou.
Confiança institucional é essencial para novos investimentos
O governador também destacou que a agenda de resiliência vai além das obras físicas e inclui investimentos em monitoramento hidrometeorológico, fortalecimento da Defesa Civil e ampliação dos sistemas de proteção contra cheias. Segundo ele, a infraestrutura resiliente é hoje uma condição indispensável para preservar cadeias logísticas, garantir previsibilidade ao setor privado e proteger empregos e atividades econômicas.
Ao abordar a experiência gaúcha em concessões e PPPs, Leite afirmou que o principal aprendizado do Estado foi a construção de um ambiente de confiança institucional. Segundo ele, investidores buscam segurança jurídica, estabilidade regulatória e qualidade técnica nos projetos. O governador lembrou que o Rio Grande do Sul promoveu reformas estruturais, recuperou sua capacidade fiscal e fortaleceu a governança regulatória, com o objetivo de consolidar uma agenda permanente de parcerias com o setor privado.
O governador ressaltou ainda a importância do diálogo permanente com órgãos de controle, como Tribunal de Contas e Ministério Público, além da ampliação dos processos de consulta pública e participação da sociedade civil. “Concessão não é apenas um tema de infraestrutura. É um modelo de governança do Estado que exige maturidade institucional, capacidade técnica e construção coletiva”, afirmou.
O InfraLeaders conta com apoio institucional do BID, do Governo do Canadá e da Câmara de Comércio Brasil-Canadá. O evento também contou com apoio do Banco do Brasil, do Tesouro Nacional, do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e da Infra Women Brazil (IWB).
Parcerias com o BID e novos financiamentos
Antes do painel, o governador participou de uma audiência com a vice-presidente de Países do BID, Anabel González, e com o chefe de gabinete da presidência do banco, André Soares. Durante a reunião, foram discutidas parcerias entre o governo gaúcho e o BID para estruturação de projetos estratégicos do Estado.

Entre as iniciativas destacadas esteve a PPP do novo Hospital de Viamão, na Região Metropolitana, estruturada com apoio técnico do BID. O projeto prevê investimento estimado em cerca de R$ 700 milhões e já incorpora conceitos de infraestrutura adaptável e resiliente, permitindo a ampliação de capacidade em situações de emergência. O hospital será construído em área estratégica, fora de zonas suscetíveis a enchentes, com acesso facilitado pela ERS-040 e previsão de heliponto.
Também foi abordado o financiamento Pró-Sustentabilidade, operação estruturada pelo Estado para ampliar a capacidade financeira e alavancar o pagamento de precatórios. Durante a conversa, Anabel González e André Soares destacaram ao governador a disponibilidade recente de uma nova linha de financiamento do BID voltada diretamente a Estados e municípios, sem necessidade de garantia soberana da União, modalidade que ainda não possui contratos assinados no Brasil.
Leite manifestou interesse do Rio Grande do Sul na nova linha, especialmente para viabilizar Projetos Urbanísticos Integrados (PUIs), vinculados ao RS Seguro Comunidade, eixo preventivo do Programa RS Seguro. Os projetos buscam promover a transformação urbana e social em territórios vulneráveis, combinando intervenções de infraestrutura, habitação, mobilidade, iluminação, qualificação de espaços públicos, serviços sociais e ações de prevenção à violência.
Também participaram da reunião e do painel o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, o procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, e o chefe de gabinete do governador, Euclides Neto.
Texto: Carlos Ismael Moreira/Secom
Edição: Secom


































