Um bebê de dois meses morreu na madrugada da última terça-feira (5) em São João Batista, na Grande Florianópolis, apresentando sinais de desnutrição e problemas de saúde congênitos, conforme laudo preliminar do médico legista. A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) investiga a causa da morte da criança, sem descartar a possibilidade de omissão de socorro ou outras condutas criminosas, embora a perícia inicial não tenha encontrado indícios diretos de maus-tratos físicos.
O caso veio à tona após o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encaminhar o bebê ao hospital com parada cardiorrespiratória. Em depoimento à polícia, a cuidadora da criança relatou ter encontrado o bebê “frio” por volta das 3h50min, após acordar para alimentá-lo. Ela afirmou ter comunicado a mãe, que estava trabalhando, e acionado o Samu.
A mãe e a cuidadora foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos, mas não houve prisão em flagrante até o momento. A PCSC apura se a morte foi resultado de negligência, maus-tratos ou causas naturais.
Achados da Perícia
De acordo com informações da Polícia Civil, o exame cadavérico revelou que a criança pesava aproximadamente 1,9 quilos, um peso alarmante para a idade, e apresentava costelas aparentes, pele ressecada e sinais compatíveis com desnutrição proteico-energética. Além disso, o bebê tinha uma série de malformações congênitas, como fenda palatina (abertura no céu da boca), micrognatia (mandíbula subdesenvolvida) e crânio de tamanho reduzido.
O médico legista, contudo, esclareceu que as condições de desnutrição e malformações não permitem, neste momento, atribuir a causa da morte diretamente à negligência ou omissão de socorro. A perícia também não encontrou lesões externas ou internas que indicassem agressão física ou maus-tratos contra a criança, afastando, por enquanto, a hipótese de violência física direta.
Não foram detectados resíduos de alimentos ou líquidos nos pulmões do bebê, o que descaracteriza, por ora, a ideia de que a morte tenha ocorrido por engasgo ou aspiração de comida. O perito também observou que a decisão sobre cirurgias corretivas para malformações, como a fenda palatina, depende de uma avaliação médica especializada do histórico completo da criança, não sendo possível culpar a família pela ausência de intervenção cirúrgica imediata.
A investigação aguarda agora os resultados de exames complementares de patologia e a análise do prontuário médico da gestação e do nascimento para determinar se a morte foi causada por fatores naturais, síndrome genética ou morte súbita.
Ligação ao Samu confundida com trote
O atendimento inicial do Samu ao caso também está sob apuração. A Polícia Militar informou que a primeira ligação da cuidadora, por volta das 3h50min, foi interpretada como um trote pela equipe de socorro, devido a supostos “sinais de frieza e risadas” da mulher ao relatar a parada cardiorrespiratória da criança. Segundo um profissional de saúde, a cuidadora teria informado que o bebê estava em parada há cerca de 20 minutos.
Posteriormente, em uma segunda ligação, uma médica plantonista realizou uma chamada de vídeo com a cuidadora, confirmando a situação de emergência e fornecendo orientações para o início das manobras de reanimação enquanto a equipe se deslocava.
Conselho Tutelar já atuou no endereço
O Conselho Tutelar, acionado pelo hospital, revelou à Polícia Militar que o endereço onde a criança estava já possuía registros anteriores de possíveis violações, uma vez que a cuidadora atendia outras crianças no local. Mãe e cuidadora permanecem à disposição da Polícia Civil para continuidade das investigações.
Fonte: NSC Total





























