Governo Leite amplia estrutura da Defesa Civil, moderniza sistemas e avança em políticas de prevenção a desastres

Foto: Jürgen Mayrhofer/Arquivo

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Desde 2023, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul vem avançando em uma série de melhorias estruturais, operacionais e estratégicas. As mudanças abrangem desde o fortalecimento institucional até investimentos em tecnologia, capacitação e resposta a emergências, com diversos projetos já concluídos e outros ainda em fase de implementação.

“Estamos em uma nova era da Defesa Civil. Em 2023 e 2024, passamos por desastres que assolaram o Estado. São histórias que nunca poderão ser esquecidas. Enfrentamos desafios com compromisso e dever de dar o suporte para todos os municípios que estavam diante das calamidades. E a Defesa Civil de hoje está muito melhor preparada do que a daqueles anos”, avalia o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira. “Temos mais pessoas, e que são mais qualificadas, além de novas tecnologias. Em curto e médio prazo, contaremos ainda com o Centro de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, os Centros Regionais e uma rede de radares. E seguiremos melhorando e ampliando nossa atuação.”

Esta matéria integra uma série de conteúdos informativos sobre os dois anos após a inundação de 2024. Com investimentos em diferentes áreas, o Plano Rio Grande já soma R$ 14 bilhões entre valores pagos, empenhados e aprovados por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Para além de projetos voltados à reconstrução de estruturas e lugares atingidos, o Plano Rio Grande resgata vidas e trabalha na construção do futuro do Estado.

Fortalecimento institucional

Instituída em dezembro de 2024, a Política Estadual de Proteção e Defesa Civil (Pepdec) representa um marco para a organização e coordenação das ações de Defesa Civil, com foco em prevenção, preparação, mitigação, resposta e recuperação diante de desastres. A política promove a integração e o preparo de órgãos e entidades, públicos e privados, e antevê iniciativas focadas em educação preventiva, buscando agregar transversalmente ações que resultem em uma mudança da percepção de risco e no fomento de uma cultura de prevenção.

A Pepdec melhora as medidas que preparam todos os atores do Sistema de Proteção e Defesa Civil para responder às demandas emergenciais e garantir a segurança das comunidades gaúchas diante do aumento dos desafios climáticos. Além disso, aperfeiçoa programas e sistemas já existentes, como o Fundo Estadual de Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Fundec/RS).

Governo RS   regulamenta o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil   mai26
Em dezembro de 2025, governo regulamentou lei que institui Política Estadual de Proteção e Defesa Civil – Foto: Maurício Tonetto/Secom

Com base na política, está sendo elaborado o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil. Foi assinada em março a contratação do Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade para elaboração do plano. O dispositivo é um instrumento estratégico e deve orientar a atuação do Estado em todas as fases do ciclo de gestão de desastres. O instrumento também leva em conta o Plano Nacional de Defesa Civil, publicado em novembro de 2025.

A proposta é estruturada em quatro pontos:

  • Plano de Governança de Risco e Desastres e Engajamento;
  • Análise de Diagnóstico de Riscos;
  • Plano de Atuação;
  • e Plano de Comunicação e Disseminação.

O plano deve ser desenvolvido em 12 meses, contados a partir da contratação do Iclei.

Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres

O Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres (Cegird) será a estrutura responsável por coordenar as ações de Proteção e Defesa Civil em nível estadual, e funcionará como ponto estratégico para a atuação integrada e colaborativa, centralizando a coordenação das ações em momentos de crise. Inspirado nas melhores práticas nacionais e internacionais, o Centro foi projetado para gerenciar operações de preparação e resposta a emergências e desastres.

Será um edifício de missão crítica, dedicado às funções de comando, controle e coordenação entre diferentes órgãos. O Cegird contará com infraestrutura tecnológica avançada, sistemas integrados e arquitetura hiperconvergente, permitindo análise em tempo real e consciência situacional que são suportes diretos à tomada de decisão. O projeto prioriza alta disponibilidade e redundância completa dos sistemas essenciais, garantindo funcionamento em cenários de estresse operacional.

O investimento previsto para a construção é de R$ 70 milhões, sendo que a contratação de projeto e execução da obra foi assinada em março. Os trabalhos já estão em andamento, com a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental ocorrida na quinta-feira (7/5).

Leite lança a pedra fundamental das obras do Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres   mai26
Governador Eduardo Leite lançou pedra fundamental das obras do Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres em maio – Foto: Vitor Rosa/Secom

Além do Cegird, o Estado está estruturando, no mesmo local, o Centro Estadual de Logística Humanitária (Celog), orçado em R$ 38 milhões, que será responsável por coordenar o recebimento, a organização e a distribuição de recursos humanos e materiais em emergências. Também estão sendo implantados os Centros Regionais de Gestão Integrada de Riscos e Desastres em nove cidades: Santa Maria, Pelotas, Lajeado, Caxias do Sul, Passo Fundo, Santo Ângelo, Uruguaiana, Frederico Westphalen e Tramandaí. O custo estimado é de R$ 180 milhões.

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Aumento de efetivo e frota

A equipe da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil foi quadruplicada ao longo do último ano, e é composta atualmente por 163 integrantes, entre militares e civis, com formações de áreas diversas, além de mais de dez profissionais terceirizados que prestam serviço com o Centro de Monitoramento (meteorologistas e hidrólogos). No quadro técnico, existem profissionais de áreas de interesse, tais como meteorologia, hidrologia, geoprocessamento, engenharias, arquitetura, tecnologia da informação, comunicação social e estatística, entre outros.

A frota da Defesa Civil também teve um incremento significativo. Em 2025, 71 veículos foram acrescentados: 20 camionetes e três automóveis, doados pelo Ministério Público de São Paulo; 45 camionetas com snorkel e guincho; dois micro-ônibus e um caminhão guincho, adquiridos por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) – em um investimento de R$ 113,849 milhões.

Os veículos têm sido utilizados para reforçar a atuação das dez coordenadorias regionais e departamentos da Defesa Civil, podendo ser empregados em múltiplas missões em contextos de desastres.

Atuação local e apoio a municípios

Com o aumento do efetivo, a capacidade de atuação com os municípios afetados por eventos adversos foi ampliada, possibilitando um suporte robusto e ágil em momentos de maior fragilidade.

Em 2025, a equipe do Departamento de Gestão de Desastres atuou presencialmente em dez municípios afetados por eventos adversos: Osório, Jaguari, Caxias do Sul, Santa Maria, Lajeado, Santa Cruz do Sul, São Lourenço do Sul, Santa Maria, Erechim e Flores da Cunha.

Já o modelo de repasse financeiro Fundo a Fundo garantiu que municípios afetados por desastres pudessem acessar, de forma ágil, recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil para ações de restabelecimento e resposta. Pela modalidade, em 2024 foram disponibilizados aos municípios R$ 324 milhões em recursos. Já em 2025, foram 339 repasses a 273 municípios, que totalizaram R$ 74,8 milhões.

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Equipes da Defesa Civil se deslocaram até Flores da Cunha para apoiar município após vendaval em dezembro de 2025 – Foto: Ascom Defesa Civil

Em março deste ano, também foi anunciado o projeto de aquisição de equipamentos para beneficiar a atuação das Defesas Civis de 73 municípios atingidos pelas inundações de 2024. A ação objetiva fortalecer a capacidade de resposta diante de eventos adversos, ampliando capacidade logística, comunicacional e de resiliência.

Cada município contemplado receberá um conjunto operacional composto por uma pick-up leve, um gerador de 10Kva e quatro rádios transceptores multibanda com capacidade de interoperabilidade.

O projeto inclui também a aquisição de outros 50 rádios transceptores que devem constituir a reserva técnica da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, o que permitirá seu emprego imediato em localidades atingidas ou em risco.

Foram selecionados 73 municípios prioritários dentre os que decretaram estado de calamidade pública em 2024, considerando ainda critérios como recorrência de eventos adversos, impactos sofridos e índice populacional, tomando as inundações de maio daquele ano como marco extremo.

Tecnologia de monitoramento de riscos

A Defesa Civil está implementando uma Rede de Radares, que teve início ainda em 2023, antes do primeiro grande evento no Vale do Taquari, com a contratação do primeiro equipamento. Instalado em Porto Alegre em 2024, o radar utiliza a tecnologia nowcasting e cobre atualmente a área mais populosa do RS com mais de 150 quilômetros de raio.

Para compor a Rede, serão instalados mais três equipamentos – em Pelotas, Alegrete e Soledade, garantindo a cobertura integral de todo o território do Estado.

O investimento previsto é de R$ 186 milhões, com fornecimento, instalação e manutenção dos equipamentos, além do desenvolvimento de uma plataforma para integração de dados e monitoramento meteorológico em tempo real, com ênfase em prevenção de desastres.

A foto mostra uma estação meteorológica automatizada instalada em área externa, cercada por vegetação verde e céu azul limpo.
Nova Hartz é um dos municípios que já recebeu o equipamento de monitoramento hidrometeorológico – Foto: Ascom Defesa Civil

O governo contratou também 130 novas estações de monitoramento para fornecer informações de 25 bacias hidrográficas do território gaúcho. Os equipamentos são de alta performance, com atualização de dados a cada 15 segundos e capacidade de funcionamento mesmo durante eventos críticos.

A operação gera dados completos e qualificados, essenciais para embasar decisões estratégicas durante emergências e adotar medidas preventivas de forma mais eficaz. Os equipamentos contam com sensores de nível de rio, precipitação, velocidade e direção do vento, umidade, pressão atmosférica, temperatura e precipitação.

Já foram instaladas 125 estações. Os dados são públicos e podem ser consultados nesta plataforma

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Outra contratação do Estado foi a realização da modelagem hidrodinâmica, que simula o comportamento da água e permite a identificação e a classificação de áreas suscetíveis a inundações, a previsão de níveis de rios e a elaboração de mapas de manchas de inundação.

A fotografia apresenta uma vista panorâmica de um rio largo que serpenteia por um vale entre colinas cobertas de vegetação, sob um céu azul claro.    Detalhes da Paisagem  O Rio: O curso d'água ocupa a parte central da imagem, apresentando águas de tom acastanhado e uma superfície relativamente calma que reflete a claridade do dia.    O Relevo: Ao fundo e nas laterais, elevam-se morros e colinas cobertos por uma mata verde e densa. Algumas áreas nas encostas mostram clarões de terra e campos cultivados, evidenciando o uso agrícola da terra na região.    Primeiro Plano: Na parte inferior da foto, vê-se a vegetação da margem, composta por arbustos verdes, gramíneas secas de cor amarelada e um solo pedregoso no canto esquerdo.    O Céu: O céu está bem aberto e azul, com nuvens brancas finas e alongadas que se espalham de forma suave.    Contexto  De acordo com o título do arquivo, a imagem ilustra a implementação de um novo serviço de monitoramento pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, projetado para prever o nível dos rios e auxiliar na prevenção de enchentes.
O rio Taquari é um dos cursos d’água que contam com sistema de monitoramento de cheias e de alerta, atendendo 11 municípios – Foto: Nicoli Saft/Defesa Civil

No início deste ano, a contratada entregou relatório com as manchas de inundação para os 60 municípios definidos como prioritários e o mapeamento de áreas vulneráveis a enxurradas e escorregamentos.  As informações obtidas por meio do serviço são cruciais para a tomada de decisão voltada para a proteção de locais com histórico de inundações.

Novo protocolo de comunicação de alertas

Implantados em maio de 2025, os novos alertas têm formato padronizado. Permitem que qualquer pessoa, independentemente de sua familiaridade com o tema, possa compreender rapidamente a gravidade do risco e saber como agir para se proteger.  

As informações sobre o grau de severidade de cada situação passaram a ser apresentadas a partir de uma escala de cores (amarelo, laranja, vermelho e roxo), associadas a uma orientação sobre o comportamento que a população pode ou deve adotar para sua proteção. O novo modelo foi elaborado a partir do estudo de protocolos de outros Estados brasileiros e países de referência, além da análise de metodologias utilizadas por órgãos da União.

Gráfico de alerta em cores

No início de 2026, foi adquirida licença vitalícia para a implementação da tradução de cores dos avisos e alertas pelo sistema ColorADD, um conjunto de símbolos que traduz as cores de forma acessível. A iniciativa permite especialmente que pessoas com algum tipo de daltonismo consigam identificá-las com facilidade.  

Pesquisa de Percepção de Riscos pela População Gaúcha

A Defesa Civil aplicou, no segundo semestre de 2025, a Pesquisa de Percepção de Riscos pela População Gaúcha. O objetivo foi traçar um cenário sobre como as comunidades percebem os riscos e quais protocolos de comunicação são mais eficazes, além de fomentar a participação popular na gestão de riscos de desastres no Estado.

Ao todo, 19.639 respostas foram coletadas, com representatividade de moradores de áreas urbanas e rurais de todos os 497 municípios do Rio Grande do Sul. Mais de 18 mil respostas foram validadas.

Com os resultados, será possível identificar como as comunidades percebem os riscos, quais protocolos de comunicação são mais eficazes e o que ainda precisa ser melhorado. Assim, a Defesa Civil poderá aprimorar processos e ações, fortalecendo as capacidades locais com efetividade.

Capacitações para as Defesas Civis municipais

Para capacitar as estruturas municipais, Defesa Civil desenvolveu, em parceria com o Ministério Público, o Curso Básico de Proteção e Defesa Civil. Foi registrada a adesão de 69% das coordenadorias municipais de Proteção e Defesa Civil, sendo que 344 dos 497 municípios concluíram a capacitação com aproveitamento.

As instruções, em modalidade híbrida (a distância e presencial), buscaram levar aos gestores as informações cruciais para a gestão integrada de riscos e desastres – como monitoramento, assistência humanitária, logística, comunicação de riscos e outros tópicos.

Já a capacitação em Elaboração de Planos de Contingência Municipais começou em 2026, e objetiva capacitar gestores, agentes de proteção e defesa civil e profissionais envolvidos na gestão de emergências e desastres a partir do emprego da metodologia do Sistema de Comando de Incidentes (SCI). Já ocorreram edições na Região Metropolitana de Porto Alegre e na Serra.

Em uma abordagem teórica e prática, reúne conceitos básicos de Proteção e Defesa Civil, metodologias de estruturação de Planos de Contingência e de Sistema de Comando de Incidentes. É ministrado por coordenadores e integrantes das dez coordenadorias regionais de Proteção e Defesa Civil.

Planos de Contingência municipais

Em 2026, o Rio Grande do Sul atingiu um marco da sua capacidade de preparação a desastres: agora, todos os 497 municípios contam com Plano de Contingência (Plancon), documento estratégico que define ações para preparação e resposta a eventos adversos. Esse resultado é fruto de uma grande articulação estadual e apoio regional – em 2023, 88% dos municípios não tinham Plancon.

Investindo ainda mais em uma atuação integrada, com os objetivos de avaliar a capacidade real de resposta dos municípios, padronizar qualidade, identificar lacunas e orientar melhorias, a equipe técnica do Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil realizou uma análise técnica dos 497 Planos de Contingência. Os municípios receberão a análise e poderão contar com o assessoramento da equipe estadual para qualificar o trabalho realizado.

Texto: Ascom Defesa Civil
Edição: Secom

Fonte: Governo do Estado Rio Grande do Sul

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