Governo do Estado promove seminário com debate sobre os impactos fiscais da reforma tributária

Foto: Robson Nunes/Ascom

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Os efeitos da reforma tributária nacional sobre a gestão das contas públicas dos Estados estiveram em debate nesta terça-feira (12), no auditório do Tribunal de Contas do Estado, em Porto Alegre. As discussões ocorreram durante o seminário “Reforma tributária: impactos fiscais”, promovido pela Secretaria da Fazenda (Sefaz) por meio do Tesouro do Estado, reunindo gestores e servidores públicos envolvidos na implantação do novo sistema tributário.

O novo modelo tributário brasileiro, que ficará em fase de testes até 2028, impõe mudanças profundas na apuração, arrecadação e distribuição do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo que substituirá o ICMS e o ISS e será compartilhado entre Estados e municípios. Diante desse cenário, o Tesouro gaúcho vem intensificando o processo de adaptação para planejar o fluxo financeiro do Estado e garantir a continuidade da oferta de políticas públicas à população.

De acordo com a titular da Sefaz, Pricilla Santana, que abriu o evento, a reforma possui elementos disruptivos, como a mudança da cobrança do tributo para o local de destino da mercadoria – invertendo a lógica histórica de arrecadação na origem da produção. Considerada um dos pilares da reforma, essa alteração põe fim à competição fiscal entre os Estados pela atração de empresas. Ao mesmo tempo, segundo ela, o novo modelo traz desafios para o planejamento financeiro ao impactar diretamente a forma como os recursos do IBS serão distribuídos pelo Comitê Gestor do IBS (Cgibs), órgão que centralizará a administração do tributo e fará a repartição entre Estados e municípios.

Esta é uma descrição da imagem "Encontro discutiu mudanças na distribuição do IBS e preparação do Rio Grande do Sul para o novo modelo de arrecadação e repartiç.jpg" para fins de acessibilidade:    A fotografia mostra uma palestrante em um auditório durante uma apresentação técnica sobre reforma tributária.    A Palestrante: Uma mulher de cabelos escuros e óculos, vestindo um blazer cinza escuro sobre uma blusa clara, está de pé no centro do palco. Ela segura um microfone com a mão direita e gesticula com a mão esquerda enquanto fala para o público.    O Palco: Atrás da palestrante, há uma mesa comprida de cor cinza com quatro cadeiras de escritório pretas de encosto alto. Sobre a mesa, veem-se microfones de base fixa e um monitor de retorno voltado para a oradora. No canto esquerdo do palco, estão posicionadas duas bandeiras em seus mastros (a bandeira do Brasil e a do Rio Grande do Sul).    A Projeção: No fundo do palco, uma grande tela de projeção exibe um slide com o título "Reforma Tributária: Impactos Fiscais". O slide apresenta a foto e o nome da palestrante, Pricilla Maria Santana, identificando-a como Secretária da Fazenda e integrante do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Os logotipos do Tesouro do Estado e do Governo do Rio Grande do Sul aparecem no canto inferior direito do slide.    O Público: Em primeiro plano, a imagem mostra as costas e as cabeças de várias pessoas sentadas nas primeiras fileiras do auditório, com foco voltado para a palestrante, criando uma sensação de profundidade.    A cena registra um evento institucional focado em discussões fiscais e econômicas.
Cooperação entre Estados e municípios ganha protagonismo com novo modelo que prioriza integração federativa – Foto: Robson Nunes/Ascom Sefaz

“Com a criação do Cgibs, vamos precisar passar de um federalismo de competição para um federalismo de cooperação. É uma ruptura cultural importante, mas que vem para entregar um Estado mais eficiente e moderno à sociedade, colocando a harmonia entre Estados e municípios acima de qualquer diferença”, avaliou Pricilla.

Impacto amenizado

Para evitar choques de receita nos Estados e municípios, a reforma tributária prevê um período de transição de 50 anos para que os entes se adaptem gradualmente ao novo modelo de distribuição, mantendo um nível semelhante de arrecadação. O objetivo é evitar uma ruptura abrupta na gestão financeira sem afetar a continuidade dos serviços públicos até a consolidação da nova estrutura tributária.

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Entre 2029 e 2032, 80% dos recursos serão distribuídos com base na participação histórica de cada ente federativo no ICMS e no ISS, calculada a partir da média de arrecadação registrada entre 2019 e 2026. Os outros 20% já terão como critério o destino, que considera o local de consumo de bens e serviços.

Em 2033, a parcela distribuída pelo critério histórico sobe para 90%, caindo para apenas 10% a fatia baseada no destino. A partir de 2034, terá início a migração gradual para o novo sistema. Com isso, a parcela histórica será reduzida em dois pontos percentuais ao ano, com aumento proporcional da fatia distribuída conforme o destino do consumo. O processo será concluído somente em 2078, quando toda a arrecadação do IBS passará a ser repartida exclusivamente com base no local de consumo.

Até 2097, porém, parte dos recursos ainda será distribuída conforme os critérios do chamado seguro-receita, mecanismo criado para compensar entes que sofrerem maiores perdas de arrecadação. A medida funciona como uma extensão da transição e oferece mais tempo de adaptação aos Estados e municípios mais impactados pela mudança no modelo tributário.

Para a presidente do Grupo de Gestores das Finanças Estaduais (Gefin) e integrante da comissão de trabalho do Tesouro no Cgibs, Célia Carvalho, que também palestrou no seminário, essa complexidade faz com que a reforma tributária represente, igualmente, uma reforma fiscal.

“Muda a sistemática do ingresso das receitas tributárias, mas muda também todo o modelo de distribuição dos recursos arrecadados — a começar pela criação do Cgibs, que centralizará a arrecadação e a distribuição dos recursos, o que reduz parte da autonomia dos entes. Por isso, os tesouros estaduais e municipais precisarão pensar no longo prazo, com mais planejamento. Tudo isso só será possível com coordenação federativa, estímulo ao diálogo e resgate da confiança entre os entes”, afirmou.

Adaptação do RS

O servidor do Tesouro do Estado, Paolo Martinez, que coordena o grupo de trabalho da reforma tributária no órgão e participa da construção do sistema de distribuição no âmbito do Cgibs, desenvolvido pela Procergs com apoio técnico da Sefaz , detalhou as frentes de atuação do Tesouro gaúcho.

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“O Tesouro está trabalhando em duas frentes. Internamente, temos um grupo de trabalho com dezenas de servidores, envolvendo todas as divisões do órgão, para planejar e estimar os impactos da reforma. Além disso, estamos participando da construção do sistema que fará a distribuição de mais de R$ 1 trilhão por ano em receitas de IBS”, explicou.

Além do módulo de distribuição, a Sefaz e a Procergs estão em fase de desenvolvimento dos sistemas de arrecadação e apuração, que integrarão o complexo modelo operacional do futuro sistema tributário. A estimativa é que a estrutura realize mais de 8 mil processamentos de informações por segundo.

De acordo com a subsecretária do Tesouro do Estado, Juliana Debaquer, que mediou os debates do evento, colocar o sistema de distribuição em funcionamento dentro do prazo é um desafio político e técnico — e a dedicação dos servidores públicos será decisiva para superar essa etapa.

“O impacto da reforma será imenso, com efeitos sobre todos os processos da gestão das contas públicas. O Tesouro do Estado está mergulhado nessa preparação, desenvolvendo soluções concretas para os desafios que nos esperam. Precisamos estar preparados para lidar com as mudanças e transformá-las em combustível para manter o equilíbrio fiscal e ampliar ainda mais a solidez financeira do Estado”, avaliou Juliana.

Segundo ela, Estados com contas públicas equilibradas e sustentáveis terão maior capacidade de atrair investimentos privados e fortalecer a geração de renda — fator que será decisivo para ampliar a arrecadação no novo modelo de tributação no destino.

“Estados fiscalmente estáveis terão espaço orçamentário para conceder benefícios fiscais a setores produtivos estratégicos para o desenvolvimento econômico. Essa mudança na forma de concessão das desonerações tributárias, além de ampliar a transparência dos incentivos, exigirá ainda mais responsabilidade fiscal dos entes federativos”, concluiu. A íntegra do evento pode ser conferida no canal da Sefaz no YouTube.

Texto: Ascom Sefaz
Edição: Secom

Fonte: Governo do Estado Rio Grande do Sul

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